A assembleia realizada nesta segunda-feira, 24 de novembro, deixou um recado claro: a categoria não aceita migalha. Depois de um ano inteiro de sobrecarga, tempestades, apagões evitados na marra, equipes desfalcadas e uma pressão desumana sobre quem faz a energia acontecer no Mato Grosso do Sul, a Energisa apareceu com uma proposta indecente para a PLR, e recebeu o que merecia. Com 92% de reprovação, os trabalhadores mostraram que dignidade não se negocia para baixo.
O mais revoltante é que, enquanto nega valorização a quem põe a cara na chuva, sobe em poste, sacrifica folga e família, a Energisa segue distribuindo fortuna para quem nunca viu um cabo elétrico de perto. Na última semana, o Conselho de Administração da empresa aprovou o pagamento de R$320,5 milhões em dividendos para acionistas, além de bonificação e aumento de capital de R$2,7 bilhões. Ou seja, dinheiro existe, só não é para quem trabalha.
A distribuição do é simples e indecente: R$350 milhões para acionistas sentados em escritórios de luxo. R$0 de PLR para quem gera o lucro. A Energisa mostra que tem pressa para garantir o sorriso do investidor, mas vira especialista em enrolar e empurrar com a barriga quando o assunto é reconhecer quem mantém o sistema funcionando. Essa contradição não é só imoral: é escancarada.
O Sinergia-MS deixa claro: não vamos aceitar PLR injusta, manipulada ou construída sobre metas irreais. A categoria mostrou força e consciência, e a resposta da assembleia deixa evidente que o jogo virou. Se a empresa insiste em ignorar quem realmente movimenta a engrenagem, vai continuar recebendo a resistência proporcional à falta de respeito. A luta continua, e cada trabalhador e trabalhadora é parte fundamental dessa vitória.