O ponto mais grave da sétima rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi a tentativa da Energisa de legalizar, dentro do ACT, o descumprimento do Descanso Semanal Remunerado (DSR) e das 11 horas mínimas entre jornadas.
Pela proposta apresentada, o trabalhador poderia ser acionado em seu período de descanso e, em vez de receber o repouso devido, teria esse tempo transformado em banco de horas. O descanso vira saldo, e o direito vira compensação futura.
O Sinergia-MS reprovou a proposta ainda na mesa por entender que ela escancara o descompromisso da empresa com a saúde e a segurança dos trabalhadores, apesar do discurso repetido por diretores e gestores. Na prática, o que a Energisa busca é aumentar a carga de trabalho dos eletricistas, intensificar jornadas e elevar o risco de fadiga, adoecimento e acidentes, em um setor onde o erro pode significar risco de morte. Além disso, a proposta revela uma tentativa clara de abrir caminho para encerrar no Judiciário as inúmeras ações trabalhistas que a empresa responde exatamente pelo descumprimento do DSR e do intervalo interjornada.
Essa proposta já foi amplamente e de forma categórica rejeitada pela categoria em assembleia, não havendo qualquer autorização da base para sua rediscussão.
Empresa insiste em proposta rejeitada e ignora a pauta dos trabalhadores
A rodada confirmou o que os trabalhadores já vêm sentindo na prática: a Energisa segue ignorando a pauta da categoria e reapresentando propostas já rejeitadas. A chamada “nova” proposta trouxe apenas uma alteração em relação à rodada anterior — a retirada da previsão de suspensão do transporte fretado em Campo Grande e Dourados. Fora isso, nenhuma reivindicação dos trabalhadores foi atendida.
Banco de horas e jornada: o trabalhador pagando a conta
Em relação ao banco de horas, a empresa propôs que as horas negativas dos chamados dias ponte sejam compensadas por meio da extensão da jornada diária ao longo do ano. Para os trabalhadores administrativos, a compensação passaria a ser de uma hora trabalhada para uma hora de folga.
Na prática, a proposta amplia a jornada, mantém a sobrecarga e transfere ao trabalhador a conta de uma gestão que deveria ser responsabilidade da empresa.
Férias e fragmentação do descanso
A Energisa também apresentou proposta de fracionamento excepcional das férias, com conversão parcial em abono pecuniário. Embora apresentada como escolha do trabalhador, a medida reforça a lógica de fragmentação do descanso, reduzindo o tempo efetivo de recuperação física e mental.
Negociação segue, direitos seguem ameaçados
Ao final da reunião, o Presidente do Sinergia-MS registrou que nenhum item da pauta de reivindicações da categoria foi atendido, mantendo-se a rejeição formal da proposta apresentada pela empresa.
As negociações terão continuidade no dia 12 de fevereiro de 2026, às 14h (horário de MS).
O Sinergia-MS reafirma: descanso não é favor, direito não se transforma em banco de horas e saúde não se negocia para trás.