Na última quinta-feira, 23 de abril, o presidente, a diretora de finanças e o diretor de base de Ponta Porã do Sinergia‑MS, Chico Ferreira, Aliceia Araújo e Carlos Eduardo Justino, respectivamente, estiveram na capital paulista para uma reunião estratégica com o presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato (Chicão), e o engenheiro de Segurança do Trabalho, Antônio Moreira, com o objetivo de conhecer detalhadamente o 1º Plano Verão, projeto pioneiro que busca enfrentar os riscos do calor extremo na rotina dos eletricitários.
A visita ocorre em um momento crítico, mas fundamental para a discussão: a combinação entre mudanças climáticas, radiação solar intensa e os efeitos do fenômeno El Niño, um aquecimento da superfície do oceano, coloca os trabalhadores da energia elétrica entre as categorias mais vulneráveis ao adoecimento.
A iniciativa, que já funciona com medições diárias de temperatura e estresse térmico e notificações periódicas às empresas, deve agora servir de base para um modelo adaptado ao Mato Grosso do Sul, um dos estados que mais sofrem com ondas prolongadas de calor.
A preocupação com o calor não é nova. Segundo Chicão, o foco do plano é produzir um corpo robusto de comprovações que mostre às empresas, muitas vezes preocupadas apenas com custos, que os riscos são reais, crescentes e já estão adoecendo a categoria. “Desde 1956, estudos científicos alertavam para os danos causados pela exposição prolongada às altas temperaturas no ambiente de trabalho. Agora, estamos criando evidência para o problema porque as empresas pensam só na parte financeira. Não é porque o trabalhador ganha periculosidade que está protegido da insalubridade. É perigoso e é insalubre”, reforçou.
Aliceia relembra que, no Mato Grosso do Sul, o setor já registrou casos de infarto associados às condições extremas enfrentadas durante o serviço. “As empresas conhecem perfeitamente o impacto fisiológico do calor sobre os eletricitários, mas fazem lobby para manter regras permissivas. Olhar com atenção para a saúde saúde do trabalhador sempre foi uma preocupação do Sinergia-MS, e agora, tornou-se uma urgência ”, defendeu.
Como funciona o 1º Plano Verão do Sindicato de São Paulo?
O projeto atua justamente para transformar evidências em pressão concreta por mudanças. Desde novembro de 2025, a entidade realiza medição diária da temperatura e da carga térmica enfrentada pelos eletricitários, envia relatórios técnicos e notificações quinzenais às empresas e alerta os trabalhadores diariamente, via WhatsApp, sobre as necessidades de pausa e recomendações importantes de saúde.
A partir das informações obtidas no estudo, o presidente do Sinergia-MS, Chico Ferreira, avalia que adaptar e expandir o Plano Verão para a realidade sul‑mato‑grossense é uma medida fundamental, especialmente diante das altas temperaturas históricas que atingem o estado todos os anos e do aumento de casos de adoecimento e episódios graves entre eletricitários.
“É preciso garantir parâmetros técnicos mais rigorosos para jornadas sob calor extremo e, claro, enfrentar o descaso da Energisa frente a mais essa pauta, já que frequentemente ela desconsidera o impacto das condições climáticas do nosso estado na saúde dos trabalhadores. Vamos somar esforços com São Paulo para que esse projeto se estenda para o MS e para outros estados”, finalizou.