Trabalhadores da JVP fazem mobilização em Ponta Porã e alertam: crise das terceirizadas também atinge o consumidor de energia

Os trabalhadores da JVP Construções e Empreendimentos Ltda., prestadora de serviços da Energisa Mato Grosso do Sul, realizam nesta quarta-feira, 19 de agosto, às 7h, uma mobilização em frente à sede da Energisa, em Ponta Porã.

A manifestação dá continuidade a uma luta antiga dos trabalhadores no município, que há anos reivindicam o cumprimento de direitos, melhores condições de trabalho e o fim da precarização nas relações de trabalho.

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Entre as principais cobranças estão atrasos no pagamento de salários, vale-alimentação e produção, problemas relacionados a férias e homologações, verbas rescisórias em atraso, dificuldades com o plano de saúde e condições inadequadas de trabalho.

Segundo levantamento do Sinergia-MS, cerca de 45 trabalhadores já desligados da JVP ainda aguardam o pagamento das verbas rescisórias.

O problema vai além da terceirizada

Para o Sinergia-MS, a situação não pode mais ser tratada como uma questão exclusiva entre trabalhador e empresa terceirizada.

A JVP executa atividades diretamente relacionadas à operação do sistema de distribuição de energia da Energisa. Quando uma prestadora perde capacidade financeira, deixa de pagar seus empregados ou reduz sua estrutura operacional, os impactos percorrem toda a cadeia: começam no trabalhador, chegam às equipes de campo, afetam a manutenção e a expansão da rede e, no fim, atingem também o consumidor.

A própria Energisa informou uma redução no número de trabalhadores próprios e terceirizados. Eram aproximadamente 2.672 trabalhadores ao final de 2025, número que caiu para cerca de 2.360 no segundo trimestre de 2026 – uma redução de aproximadamente 312 trabalhadores.

A redução da força de trabalho precisa ser analisada junto ao que vem sendo observado nas bases: equipes menores, sobrecarga, jornadas extenuantes, maior pressão por produtividade e dificuldades para atender toda a demanda existente no Estado.

Quando a precarização chega ao consumidor

Os efeitos aparecem na ponta. O Sinergia-MS recebe reclamações sobre redes que precisam de manutenção, demora em obras de expansão e reforço de rede, serviços emergenciais mantidos por períodos prolongados e dificuldades no atendimento de pedidos de consumidores.

O sindicato também chama atenção para a retirada de uma modalidade de atendimento emergencial que permitia, em determinadas situações, o pagamento de uma tarifa para ligação ou restabelecimento da energia em prazo reduzido.

Havia casos em que o serviço poderia ser realizado em até quatro horas, enquanto determinados atendimentos passaram a seguir o prazo ordinário, que pode chegar a 24 horas.

A redução das equipes e a precarização da mão de obra precisam ser consideradas nessa discussão. O consumidor paga pela concessão de um serviço essencial, mas pode acabar enfrentando mais demora justamente quando a estrutura responsável pela execução do serviço é reduzida.

JVP não é um caso isolado

O Sinergia-MS alerta que a JVP não é um caso isolado . Nos últimos anos, outras empresas contratadas para prestar serviços à Energisa em Mato Grosso do Sul enfrentaram dificuldades financeiras, encerraram atividades ou deixaram trabalhadores sem receber.

Por isso, o sindicato questiona o modelo de terceirização adotado pela concessionária e cobra responsabilidade sobre as consequências desse modelo.

A distribuição de energia depende de trabalhadores que atuam diariamente na manutenção preventiva e corretiva, atendimento de emergências, construção e ampliação de redes, novas ligações, reforço de carga e recuperação do sistema.

Para o consumidor, não existe uma rede “dos trabalhadores próprios” e outra “dos terceirizados”. Existe a rede da Energisa.

Quando uma prestadora deixa de pagar salários, perde capacidade operacional ou reduz suas equipes, as consequências podem chegar à qualidade do fornecimento, ao tempo de atendimento, à segurança das instalações e à capacidade de expansão da rede.

Uma luta que também diz respeito à população

A mobilização desta quarta-feira, portanto, não trata apenas dos direitos dos trabalhadores da JVP. É também um alerta sobre os impactos que a precarização da mão de obra pode produzir em um serviço essencial para toda a população.

A renovação da concessão da Energisa amplia a cobrança por responsabilidade, estrutura adequada e respeito aos trabalhadores que fazem o serviço acontecer diariamente.

“O problema das empresas terceirizadas que quebram não é apenas do trabalhador e do sindicato. Quando falta estrutura para quem constrói, mantém e recupera a rede elétrica, quem sofre também é o consumidor. A precarização começa no trabalhador, mas termina dentro da casa da população”
Francisco Ferreira, presidente do Sinergia-MS.

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